Folclore ou Encantados

São Folclore mais na realidade
são encantados da Natureza. 10f6
isso e Tambor de Mina, Tereco, e a Jurema Sagrada.

Curupira

 Demônio das florestas. É assim que os índios tupis chamam o Curupira, um anão de cabelos vermelhos, dentes verdes ou azuis e pés virados para trás que protege as árvores e os bichos das matas brasileiras. Na verdade, ele não é um anão. É um menino baixinho. Tanto que seu nome deriva das palavras curumim e pira e significa corpo de menino. A aparência do Curupira varia de região para região, mas não a sua estatura – apenas quatro palmos.
No Pará, por exemplo, o Curupira é descrito como sendo calvo e com o corpo coberto de pelos, sem orifícios para as secreções.
No Acre, a criatura tem cabelos revoltos, para cima.
Quando pega um caçador maltratando um animal ou uma árvore, cobre-o de pancadas, chegando a matar às vezes.
Para proteger a natureza, o Curupira usa mil artimanhas. Com gritos, assovios e gemidos, ele ilude e confunde os caçadores, fazendo com que eles o sigam pensando que estão atrás de algum animal. Quando se dão conta, estão perdidos na mata.
O Curupira ainda apaga os rastros deixados pelo caçador, deixando suas pegadas ao contrário no lugar.
E o incauto que cai na do Curupira nunca mais encontra o caminho de volta. Alguns caboclos costumam deixar presentes no caminho da mata (cachaça, comida sem pimenta nem alho) para distrair ou agradar o Curupira.

curupira 30 de maio de 1560

 “É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios a que os brasis chamam corrupia, que acometem aos índios muitas vezes no mato, dão-lhe de açoites, machucam-nos, matam-nos.
São testemunhas disto os nossos irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oblação, rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façam mal”.
(José de Anchieta, São Vicente) 

Se alguém vir o Curupira correndo as matas batendo nos troncos das árvores com um machado feito de casco de jabuti, com o calcanhar ou com o imenso pênis, pode se preparar porque lá vem tempestade.
Sempre que a chuva forte se aproxima, o Curupira dá uma pancada no tronco das árvores para ver se elas estão fortes o suficiente para aguentar a ventania. Quando percebe que a árvore não vai resistir, ele avisa os animais para não chegarem perto.
O Curupira é um mito totalmente brasileiro, que não tem qualquer influência dos portugueses colonizadores. Estes quando aqui chegaram depararam com o medo que os índios tinham dessa criatura.
Em 1560, José de Anchieta enviou cartas para a Coroa falando dos ataques da criatura de cabelos de fogo (veja quadro acima). 

curupira_caipora_73Caipora

 O Caipora é geralmente confundido com o Curupira, mas ele não tem os pés voltados para trás e anda montado em um porco enorme
Também protetor das florestas e dos animais, o Caipora é geralmente confundido com o Curupira.
Mas trata-se de uma criatura totalmente diferente e cuja aparência varia em todo o Brasil. Ele anda montado em um caititu, uma espécie de porco de enormes proporções, e segura um cajado feito de galho de Jacapenga.
No Sul do país é um gigante coberto de pelos pretos dos pés à cabeça. No Norte e Nordeste, um ser pequenino, indiozinho, muito escuro e com olhos cor de brasa, ágil e nu em pelo – ou vestindo uma pequena tanga. Em Pernambuco, ele tem um pé só.
Em Minas Gerais, um olho só. Na Bahia pode ser uma cabocla, um negro ou um negrinho.
Não importa a região e a aparência, o Caipora aparece sempre como protetor da natureza.
O nome significa habitante do mato e vem do tupi-guarani: caa (mato) e pora (habitante, morador).
Chamado por alguns de duende e por outros de demônio, a criatura mora dentro de um tronco de árvore no fundo da floresta.
Adora cachaça e fumo e costuma fazer tratos com caçadores, exigindo sangue humano nos contratos.
Deixa-os matar a caça – exceto às sextas-feiras -, mas mata-os se não cumprirem o acordado.
Quando encontra algum animal morto por caçadores sem a sua permissão, o Caipora pode ressuscitá-lo – poder que o Curupira não tem.
O Caipora devolve a vida ao animal encostando-lhe o focinho de seu porco ou o cajado de jacapenga, ou, ainda, ordenando que ele ressuscite. 

mapinguariMapinguari

 O Mapinguari até poderia ser uma mistura de Curupira com Caipora.
Mito do Amazonas, Acre e Pará, a criatura é um gigante peludo com os pés voltados para trás, as mãos com garras afiadas e uma boca vertical que sai do nariz e vai até o estômago.
Em algumas regiões, diz-se que o Mapinguari tem um único olho, enorme, no meio da testa.
Em outras, que ele tem duas bocas – uma no lugar normal e outra, enorme, na altura do estômago. Seus pelos avermelhados são tão espessos que o tornam à prova de balas – exceto na região do umbigo, a única parte vulnerável da fera.
Mas o Mapinguari, ao contrário do Curupira e do Caipora, não tem objetivos nobres na vida. Ele não protege as florestas nem os animais.
O negócio dele é devorar os homens, de quem é inimigo ferrenho. Não come o corpo todo, apenas a cabeça, que enfia na bocarra e arranca de uma vez.
No Acre, acredita-se que o Mapinguari derive de índios que, chegando a uma idade avançada, transformaram-se no monstro.
Mas tirando a boca vertical, a aparência do Mapinguari se assemelha muito à de um bicho-preguiça adulto, na descrição de quem já topou com a criatura e saiu vivo para contar a história.
Talvez por isso, muitos acreditem tratar-se de remanescente da preguiças gigantes que habitaram a região amazônica no Pleistoceno e que teriam sobrevivido devido à abundância de alimentos e à proteção das árvores cerradas da floresta amazônica. 

boto-cor-de-rosaBoto

 Lá para as bandas do Pará, quando a paternidade de alguém é desconhecida, diz-se que ele é filho do Boto.
O Boto é criatura do folclore paraense, que vive nas águas do Amazonas e de seus afluentes, esperando o momento certo para se transformar em homem e seduzir as mulheres.
O momento certo são as noites de festa, em que a música povoa os ouvidos das comunidades ribeirinhas e o arrasta-pé come solto.
Nessas noites, o boto sai da água, transforma-se em homem bonito, forte, alto, sedutor e de boa proza, veste-se de branco, coloca um chapéu na cabeça para esconder o orifício por onde respira, e sai à procura do baile, onde bebe, conversa, namora e encanta as mulheres com seu jeito de dançar.
Sim, o Boto-moço é um verdadeiro pé de valsa, e ao seu gingado não resistem as casadas, as donzelas ou as viúvas. Antes da madrugada, pula na água e volta a ser boto.
Não sem antes marcar com as moças que conheceram no baile encontros futuros, aos quais comparecem fielmente e dos quais elas geralmente saem grávidas.
A crença no Boto é tão grande que, em algumas comunidades ribeirinhas do Pará, quando a mulher pula a cerca e engravida do amante, põe a culpa no Boto e ninguém contesta.
Nem mesmo o marido traído, que sabe ser impossível resistir aos encantos do bicho.
Até bem pouco tempo atrás, os homens saiam à caça dos botos para matá-los e arrancar-lhes os olhos, as nadadeiras, as barbatanas, as genitálias e fazer com elas amuletos do amor e da sorte.
Do amuleto feito do olho seco e preparado por um pajé, diz-se que é capaz de fazer qualquer moça se enamorar daquele que o possui.
A desculpa No Pará, a crença no boto serve de desculpa não apenas para a paternidade de filhos desconhecidos, mas para qualquer coisa.
Em 1967, o senador Álvaro Maia, do Amazonas, atribuiu ao Boto o desaparecimento de uma urna que era transportada por uma canoa no município de Benjamin Constant.
A urna caiu na água, os votos não puderam ser contados e o candidato da oposição acabou ganhando as eleições. O vitorioso não titubeou:
“Foi o boto que levou a urna pro fundo para proteger o caboclo da lei!”.
Mas o Boto não é apenas um malandro sedutor que não quer saber dos filhos que faz.
Na sua forma original, ele é um animal que protege embarcações, levando-as para local seguro em dia de tempestade, ajuda pescadores, levando os cardumes de peixes para junto das margens do Amazonas, e salva náufragos, conduzindo-os para terra firme.
E se você estiver navegando pelo Amazonas e vir um cardume de botos seguindo um barco, pode ter certeza que dentro dele há mulheres grávidas ou em período fértil. Porque o Boto, além do gingado irresistível, tem um faro que ganha de qualquer cão perdigueiro. 

9BC70Mãe-d’água (Iara) 

Yara vem de Yanomanis.  

 Os Yanomanis são as Tribos Indígenas mais conservadores e primitivos em seus consumes e com várias lendas.
Para a Jurema Sagrada Catimbo e outras seguimentos do espiritismo a Yara manifesta como uma Cabocla.
No Tambor de Mina Gege e Nago todos os encantados e chamados de caboclo.
Sendo assim Yara é uma índia encantada das águas doce e que se apresenta na forma de uma cobra ou mãe d”água são cobras que vive nos Rio para proteger seus filhos,
Há quem acredita que Iara e uma Mãe d’Água e no Mar e uma Sereia.
Há uma familia que se chama Surrupira que são encantados da mata que não teve contato com o Homem Branco que existem varios caboclo(a) encantados de diversas formas e o Reino das Águas Claras onde alguns deles habita.
No Reino das Águas Claras ou Reino de Rio Verde se localiza no final do Rio Amazonas nas mediações da Ilha do Marajó, onde e o final de todos os afluentes.
Veja na História do Caboclo Solimões, Caboclo Rio Negro, Caboclo Rio Verde que o encantamento do Rio Amazonas, Caboclo Rio Mar e ou Caboclo Maresia que o encantado do Mar Doce que vai do Grão Pará ao Amapá.
Neste Reinado das Águas Claras e ou Reino de Rio Verde tendo como sua Rainha Aurora, e ligado a ele o Príncipe Fleximar, Princesa Flora, Princesa Yara, Marinheiros, as Meninas das Saia Verde, Príncipe Boto, podemos afirmar que um reinado de personagem lendarias do amazonas pois foram índios que se encantarão em vida que seus corpos sumiu na natureza encantando-se.
Mestre Neto

Consagrado para o Príncipe do Reino das Águas Claras Pajé Rio Verde. 

10-personagens-folclore-brasileiro-1Lenda da Iara 

Origem da lenda da sereia, personagem do folclore brasileiro, lenda da região amazônica, características.
Iara: uma lenda de origem indígena

Fonte:http://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/lenda_iara.htm

Introdução

→Também conhecida como a “mãe das águas”, Iara é uma personagem do folclore brasileiro.
→De acordo com a lenda, de origem indígena, Iara é uma sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo) morena de cabelos negros e olhos castanhos.
→A lenda conta que a linda sereia fica nos rios do norte do país, onde costuma viver. →Nas pedras das encostas, costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto. →As vítimas costumam seguir Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam. →Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia.
→Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé (chefe religioso indígena, curandeiro) pode livrar o homem do feitiço.

Origem da personagem

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→Contam os índios da região amazônica que Iara era uma excelente índia guerreira.
→Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram matar Iara.
→Porém, ela ouviu o plano e resolveu matar os irmãos, como forma de defesa.
→Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas. Porém, o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la.
→Como punição, Iara foi jogada no Rio Solimões (região amazônica).
→Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia.

 Curiosidade:

indio-10242 A palavra Iara é de origem indígena. Yara significa “aquela que mora na água”.

Se você estiver passeando no final da tarde pelas margens do Amazonas ou do São Francisco ou navegando nos rios e ouvir um canto delicioso, que o faz ter vontade de saltar na água, cuidado.
Você pode estar sendo atraído pela Mãe d’Água.
Se conseguir escapar ao afogamento, não escapará da loucura.
Diz a lenda que a Mãe d’Água é a versão feminina do Boto, que também gosta de um arrasta-pé e de seduzir os homens em terra, com sua beleza e boa conversa, e na água, com seu canto maravilhoso.
Para alguns, ela é uma índia de olhos verdes, cabelos negros lisos e longos, de uma beleza estonteante. Para outros, ela é branca e loura, de olhos claros e igualmente linda.
A origem do mito varia do Amazonas para o São Francisco.
Na região da Amazônia, a Mãe-d’Água é conhecida como Iara (do tupi uiara).
Filha preferida de um pajé, que em tudo a elogiava, ela matou em defesa própria os dois irmãos invejosos que haviam tentado matá-la e, com medo de contar ao pai, fugiu.
O pai então resolveu caçá-la e quando a capturou, jogou-a no encontro dos rios Solimões e Negro. Iara ressurgiu como sereia numa noite de lua cheia, encantando quem passasse com sua beleza e sua voz.
Homens que escutam seu canto se apaixonam e se atiram no rio e, quando chegam ao fundo, são devorados por ela.
Na região do São Francisco, a Mãe d’Água é uma sereia nascida no rio.
Ela aparece quando o rio dorme, todas as noites, à meia-noite.
Durante dois ou três minutos, o velho Chico para de correr, as quedas d’água param de cair, os peixes deitam-se no leito do rio e os afogados seguem para as estrelas.
É quando a Mãe d’Água vem à tona, procurando um banco de areia ou uma canoa para pentear os longos cabelos, cantando uma música muito bonita e atraindo para as águas aqueles que se atrevem a incomodar o sono do rio nesse pequeno intervalo de tempo.
Por isso, os barcos que têm de navegar na hora morta do rio, costumam colocar uma carranca na proa para afugentar a Mãe d’Água e escapar da sina do afogamento.
Mas se carrancas do São Francisco são capazes de afugentar a sereia brasileira, o mesmo efeito elas não têm sobre uma outra criatura do folclore brasileiro. 

Boitatá

 

Uma cobra enorme, com olhos de fogo e corpo transparente que parece em chamas. Esse é o Boitatá, um dos mitos brasileiros mais antigos.
Sua origem é indígena. O nome vem da junção das palavras mbaê (cobra) e tata(fogo). A cobra de fogo aparecia à noite, cintilando nas campinas e nas margens dos rios, assustando quem passasse.
Em 1560, José de Anchieta escreveu que a cobra de fogo era a assombração mais temida pelos índios.
Os negros escravos tinham sua própria versão da boitatá.
Diziam a que “biatatá” era um ser que habitava as águas profundas e que saía à noite para caçar.
Em algum momento, os dois mitos convergiram, e hoje o boitatá é uma cobra que habita tanto as águas profundas quanto as campinas, tem olhos de fogo e parece ser feita de chamas azuladas.
Em algumas regiões, a criatura protege as matas de incêndios, apagando o fogo quando passa. Em outras, ela é um ser maligno, que ateia fogo na mata.
O surgimento da criatura, no entanto, ainda é desconhecido. A história mais conhecida é a que é contada no Rio Grande do Sul.
Lá, a boitatá teria surgido durante um dilúvio, durante um período de grande escuridão.
A boiguaçu, uma cobra muito grande, dormia na escuridão de sua caverna quando foi surpreendida pelas cheias.
Para não morrer afogada, procurou, assim como os outros animais, um local elevado. O tempo passou, e a água não baixava.
Todos os animais estavam fracos de fome, e a cobra resolveu matar a sua fome comendo-lhes os olhos – sua parte preferida.
À medida que ia comendo, a luz dos olhos das vítimas iam iluminando seu corpo, e a pele, muito fina, ia deixando transparecer essa “luz interior”.
Mas os olhos não tinham substância, e a cobra acabou morrendo de fome.
Dizem que o que vaga cintilando na noite é o espírito da boiguaçu. Já outros, que trata-se de fogo-fátuo, fenômeno da natureza provocado pela auto-combustão de restos de grandes animais.
Qualquer que seja a versão do mito, é recomendado que a pessoa que encontrar um boitatá pelo caminho fique bem quieta e mantenha os olhos fechados, para não atrair o apetite voraz da cobra. 

Romãozinho

 

É uma criatura do folclore brasileiro.
Ele é um menino, filho de um agricultor e já nasceu mau e sem pau.
Ele sempre gostou de maltratar os animais e destruir as plantas.
Uma vez, sua mãe mandou-o levar o almoço ao pai, que trabalhava na roça.
Ele foi de má-vontade.
No meio do caminho, ele comeu a galinha, colocou seus ossos na marmita e levou-a ao pai.
Quando o pai viu os ossos em vez da comida, ele perguntou o que aquilo significava. Romãozinho, perfidamente, disse:
Deram a mim isso…
Eu penso que minha mãe comeu a galinha com o homem que vai a nossa casa quando você não está lá, e enviou-lhe somente os ossos.
Enlouquecido de raiva, o pai voltou logo para casa, puxou do punhal e matou a esposa. Antes de morrer, a mãe amaldiçoou o filho que ria, dizendo:
Você não morrerá nunca!
Você não conhecerá o céu ou o inferno, nem repousará enquanto existir um vivente sobre a terra!
Romãozinho riu ante a maldição e foi embora.
Desde então, o menino nunca cresceu, anda pelas estradas e faz travessuras: quebra as telhas dos telhados a pedradas, assusta os homens e tortura as galinhas.
Mas também às vezes faz coisas boas.
Há uma história que diz que uma mulher grávida estava sozinha e entrou em trabalho de parto, e no desespero chamou por Romãozinho e este foi à casa da parteira que depenava uma galinha, a galinha de repente saiu da mão dela e saiu voando, a parteira saiu correndo atrás e a galinha foi jogada na casa da mulher que estava em trabalho de parto. 

O CAPELOBO

 Também chamado cupelobo, pertence ao folclore do Pará e do Maranhão. O nome parece ser uma fusão indígena-português: capê (osso quebrado, torto ou aleijado) + lobo. A lenda lhe dá características de licantropo e, às vezes, também de vampiro.
Pode aparecer em duas formas.
Na forma animal, é do tamanho de uma anta, mas é mais veloz.
Apresenta um focinho descrito como de cão, anta, porco ou tamanduá e tem uma longa crina. Peludo e muito feio, sempre perambula pelos campos, especialmente em várzeas.
Na forma semi-humana, aparece com um corpo humano com focinho de tamanduá e corpo arredondado.
Segundo Câmara Cascudo (Geografia dos Mitos Brasileiros, “Ciclo dos Monstros”) é um animal fantástico, de corpo humano e focinho de anta ou de tamanduá, que sai à noite para rondar os acampamentos e barracões no interior do Maranhão e Pará.
Denuncia-se pelos gritos e tem o pé em forma de fundo de garrafa.
Mata cães e gatos recém-nascidos para devorar. Encontrando bicho de porte ou caçador, rasga-lhe a carótida e bebe o sangue.
Só pode ser morto com um tiro na região umbilical. É o lobisomem dos índios, dizem.
No rio Xingu, certos indígenas podem-se tornar capelobos.
Segundo S. Fróis Abreu (Na Terra das Palmeiras, 188-189, Rio de Janeiro, 1931):
Acreditam que nas matas do Maranhão, principalmente nas do Pindará, existe um bicho feroz chamado cupelobo…
Um índio timbira andando nas matas do Pindará chegara a ver um desses animais que dão gritos medonhos e deixam um rastro redondo, como fundo de garrafa.
O misterioso animal tem corpo de homem coberto de longos pêlos; a cabeça é igual à do tamanduá-bandeira e o casco com fundo de garrafa.
Quando encontra um ser humano, abraça-o, trepana o crânio na região mais alta, introduz a ponta do focinho no orifício e sorve toda a massa cefálica: ‘Supa o miolo’, disse o índio.”
Já segundo Lendas do Maranhão, de Carlos de Lima, o capelobo parece-se com a anta, mas é mais ligeiro do que ela, e tem cabelos longos e negros e as patas redondas.
Sua caçada é feita à noite, quando sai em busca de animais recém-nascidos para satisfação de sua fome inesgotável.
Se apanha qualquer ser vivente, homem ou animal, bebe-lhe o sangue com a sofreguidão dos sedentos.
Dando gritos horríveis para apavorar os que encontra, que, paralisados de medo, têm o miolo sugado até o fim através da espécie de tromba que ele introduz no crânio da pobre vítima.
Esses gritos, que no meio da mata se multiplicam em todas as direções, desnorteiam os caçadores e mateiros que assim vagam perdidos, chegando, às vezes, a enlouquecer.

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